quarta-feira, 3 de junho de 2015

Poema da acolhida

Hoje o poema ia ser triste
Mas ficou feliz
Pois a lua tava cheia
Teve côco de roda
E chegou Martim!

domingo, 15 de junho de 2014

Poema ébrio para a lua

A lua está cheia
Cheia de falsos olhares
Olhares que pensam que
A luz dela é pra sua contemplação
Pra sua iluminação

Mas não,  a luz da lua é só
Pra iluminar um tanto
Aquele rio que reflete
E que faz os homens se enxergarem
Como malditos e bonitos seres que são;

E pensarem no que viram ontem
Seus braços que se fecham
Com a mesma facilidade com que se abrem
Deixando peitos por serem abraçados
E olhos de lágrimas manchados.

sábado, 9 de junho de 2012

Trem

É de se surpreender que eu tenha deixado a mudança passar assim batida.
Sim, meus caros, novo lar, nova cama, nova louça, nova lousa e novo céu. Ah, e aquilo tudo que alguns meses atrás eu chamava de presságios ilusórios agora eu chamo de ex-futuro subestimado.
Pois é.Está mais que bom! Agora vivo no aroma da citronela, com palavras nos olhos que me instigam tanto, com vinho de toda qualidade tocando frequentemente minhas papílas. Tudo isso debaixo de um céu tão lindo, de uma cor que não sei nem mais se posso chamar de azul. Chamo de cor do céu ,que mesmo no acordar cedo me enchem os olhos de alegria, ainda mais quando se misturam com a cor de flor que tem de monte ali também.Eu gosto tanto tanto desse céu que outro dia eu até sonhei que a gente casou. Ah, foi lindo. Ele se trajou  para a cerimônia, me envolveu por completo,  e o beijo final me inundou de um êxtase que me fez passar a lua-de-mel num arco-íris. Daí agora quando chove eu me amarguro toda por que é como se eu tivesse levado um pé na bunda. Pé na bunda do amor de minha vida: céu daqui.
Tem também toda aquela felicidade de se fazer o que gosta, de fazer as coisas com prazer. Felicidade também nas novas relações que se estabeleceram numa velocidade que até impressionou essa minha alma derretida.
Ah, uma coisa que eu gosto também é que agora eu tenho chaves de casa.Não uma, mas 3 chaves, que todo dia de manhã eu fico musicando nos meus dedos na hora de ir pra aula. Vou me equilibrando no meio fio. Uma música no assobio, outra nos dedos, outra nos ouvidos.
Continuo amando a cidade que nasci. A cidade que gentilmente me mandou embora. Susurrava todos os dias no meu ouvido " vai moça, vai...". Foi a prova de que ela me amava também. Afinal, era insustentável a nossa relação. Culpa de interferências externas, eu diria. Se fossemos só eu e ela nosso destino seria lado a lado.
Mas é isso. Agora se eu falo que tenho problemas, é por que os inventei. Sinto-me num passeio de trem, sem rumo. E eu adoro passeios! A verdade é que eu tive que reiventar o sentido da alegria, da felicidade. Porque o que se passa aqui dentro agora é tão incrível que talvez eu nunca tenha provado antes.
Mas quero deixar claro aquilo que todo mundo já sabe. Que '' a felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor''. Então se um dia se deparar comigo de cabeça baixa é por causa dessas oscilações de sensação tão inevitáveis que atingem esses seres sensíveis que somos nós. É...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Babel

E vai passando. Rápido demais. Engolido por uma nostalgia estranha do inacabado.
Começo a me perguntar como foi que aconteceu toda essa vontade de dar despedida a terra que se quer abaixar a cabeça e beijar de amor. A essa terra que traz desejo. Que guarda consigo a mão que se quer apertar, o peito que se quer abraçar e a boca de sabor envenenado que se quer beijar. Vai ver então a vontade apareceu depois de provar esse saboroso veneno doce que depois te faz afogar a cara na espuma de um travesseiro que nunca foi bom pra dormir, muito menos pra se afogar.
Esse adeus premeditado vem acompanhado de uma estada eterna no ambiente quase selvagem de relações que não se sabe quando findarão. Essa insustentabilidade toda que paira sob o ar ,que ora cheira lavanda, ora cheira bosta, faz buscar a corrente de mar que faça levar à terra de ninguém.
Terra que vai me mandar de volta, e fazer parar com os presságios ilusórios.

domingo, 4 de setembro de 2011

Pra você que quer saber do amor

Na hora aceitei, acho que por saudades e por simpatia. Mas agora bateu uma certa raiva, uma indignação (ou qualquer outra coisa que dá vontade de gritar) por ter que te contar sobre o amor. Que pedidozinho mas ínfimo esse! Um tanto sacana eu diria, não importa quão boa sejam suas intenções. Onde já se viu...
Mas vamos lá, vou me expressar pela exemplificação.

Teve um caso que foi de amores diferentes, por toda parte. A minha nega de olhos de mar me ligou pedindo pra ir até o mar com ela, pra encontrar o brilho de seus olhos. Ela teve seu caso de paixão em alto mar, que palpitou no peito dela, mesmo depois de voltar pra terra firme. E ela queria mais... Então eu fui com ela até o porto procurar por ele. E tinha o nervoso do reencontro, o suor das mãos que se misturavam quando ela apertava a minha com tanta força que dava pra sentir o coração dela batendo ali mesmo, na palma das mãos.A angústia de não encontrá-lo, e a impaciência. E o êxtase quando se encontraram os olhares. Ambos os pares de olhar feitos com a água do mar. E eu ali de lado, com o livro aberto, espiando aquela cena bonita pelo canto do olho.
Depois veio aquela alegria toda que faz a gente cantar alto um samba na rua.
Tá aí o primeiro caso. A paixão surpreendida dele, a paixão fugaz dela, e o meu amor que estava por perto pra impedir que o mar roubasse qualquer gota de olhar.

Minha mãe sempre me lembra indignada, de quando eu era pequena e não dormia na minha cama. Eu, no meio da noite, ia pro quarto dos meus pais e me deitava entre eles. É, isso mesmo, no meio, o centro das atenções. Ela me colocava de volta na minha cama, e eu voltava. Então meus pais começaram a trancar a porta e eu não podia mais entrar, tinha que dormir na minha própria cama. Era uma criança carente, querendo amor. Meus pais, amantes ativos, querendo consumar o deles.

Ah, é amor também quando você fica agarrando seu namorado e vocês ficam que nem bestas dando gargalhadas escandalosas enquanto eu tento me concentrar. Lanço olhares mortais pra ver se vocês se tocam, e como vocês não o fazem ,sou obrigada, por amor mesmo, a entrar no meio pra participar.'' Quando o amor entrou no meio, o meio virou amor''.

Tem também eu e a minha irmã.Passamos o ano inteiro entre tapas e beijos. Mais tapas do que beijos pra falar a verdade. A gente se gosta, mas não pode se ver. As brigas são feias, e eu fico proferindo aquelas palavras de ódio que deixam qualquer pessoas de boca aberta. Mas esse ódio é passageiro. O natal na nossa família é bem bacana, e todo mundo tem que se abraçar e falar coisas legais um pro outro. E daí, eu, sempre zangada com minha irmã, fico planejando falar alguma coisa moralizante, alguma coisa que finja uma indiferença qualquer. Quando chega na nossa hora de abraçar o planinho babaca vai por água abaixo, eu choro muito e digo o quanto a amo. E amo mesmo. Esse é o nosso amor fraterno inegável e irredutível.

Acho que era amor também quando eu ficava cantando a oração da banda mais bonita da cidade, tentando curar todas as mágoas que aquele sorrisinho despretensioso me trouxe. Era amor sem reciprocidade, um amor instântaneo que se prolongou e quase invadiu as alas da eternidade. Da eterna rejeição, eterna falta de envolvimento, de conquista.Bobagem pensar que as lágrimas de amor serão doces. Elas são mais salgadas que qualquer outra.

e etc.,e etc.

No meu livro de auto ajuda vem dizendo que o amor está em todo lugar, e que eu sou amorosa e digna de amor. Só pode ser verdade. Que o amor acaba numa esquina e começa na outra.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

De presente

- E me levou pro inferno sem minha lucidez...
Ah, são seus. São seus então os olhos que eu não posso olhar com medo de me perder. Dá pra se afogar neles. Dá pra eu me afogar em todas as mágoas que você guarda dentro deles, e que vai fundo... Sempre soube que seu olhar era triste.
Tá na hora de chorar essas mágoas, esse azedo no seu peito. Chora no meu colo todo o mar de lágrima que você bem sabe que vai navegar. Vai dar a volta no mundo nesse seu pranto pra perceber que tudo começa aqui, dentro do teu lar.
Vai ser bonito quando seu olhar sorrir.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Luz dos Olhos

Foi por não limpar a vidraça, que a luz não entra mais. Quarto escuro esse agora. E escuridão dá sono. E pra evitar o sono eterno tenta dar umas voltas, porque sabe que aquele quarto é bem grande. Mas vai trombando em muita coisa. Derruba as caixinhas que não devem ser abertas, e pronto, passa muito sufoco tentando fechá-las. Tarefa muito díficil nesse escuro todo que se confunde com cegueira. E as caixinhas, se não fechadas às pressas, começam a escandalizar. E o escuro se mistura com o insurdecedor grito da caixinha, ou de quem tava dentro dela pra não sair mais. E do desespero vem as lágrimas que misteriosamente limpam as vidraças, e torcem pra poeira não levantar por um tempo.